quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

CATOLICISMO POPULAR















Esse catolicismo é difundido pelo povo. Difere do Catolicismo tradicional, que é o catolicismo ensinado pelo clero. O Catolicismo popular é um desgaste do já desgastado Catolicismo tradicional, pois o povo leigo associa os dogmas Católicos às suas crenças e costumes, tornando pior ainda o afastamento da ortodoxia bíblica.

Podemos observar que o Catolicismo do povo é intocável, nem o papa tem autoridade sobre o movimento, a igreja tenta de maneira amistosa e muitas vezes conivente relevar as absurdas colocações do povo aos dogmas da própria igreja.

A palavra “dogma” é um princípio de fé indiscutível da igreja. Estabelecido, como veremos a seguir, pelos concílios papais séculos depois dos apóstolos e dos pais da igreja. Ou seja, são doutrinas fora da Bíblia sancionadas pelos Papas baseando-se no pressuposto de que há autoridade apostólica neles investida. O pior é que estas doutrinas extras canônicas transformam-se em verdadeiras heresias no entendimento e desenvolvimento popular. Vejamos abaixo alguns dos principais dogmas estabelecidos pelos Papas ao longo da história e que foram desenvolvidos e assimilados pelo povo:


Século V ano de 431 d.C
Dogma ou cerimônia do Catolicismo tradicional: Maria é proclamada a “mãe de Deus”. No Catolicismo popular Maria se transforma em uma Deusa mãe ou semideusa mãe.

Século VI ano 593 d.C.
Dogma ou cerimônia do Catolicismo tradicional: O purgatório começa a ser ensinado. No Catolicismo popular o purgatório passa a ser um escape para os que vivem na devassidão não irem para o inferno. Levando os fiéis a uma segurança com a santidade na morte em detrimento da santidade da vida.

Século VIII ano 789 d.C.
Dogma ou cerimônia do Catolicismo tradicional: O início do culto às imagens e relíquias. No Catolicismo popular as imagens se transformam em idolatrias.

Século IX ano 880 d.C.
Dogma ou cerimônia do Catolicismo tradicional: A canonização dos santos. No Catolicismo popular os santos não são só canonizados, mas tratados como deuses ou semideuses. Com estórias cheias de mitos a respeito da vida deles.

Século XII ano 1200 d.C.
Dogma ou cerimônia do Catolicismo tradicional: O Uso do rosário. No Catolicismo popular o rosário ou o terço (a terça parte do rosário) vira um amuleto contra o mal e ícone de proteção para ser colocado no carro, cabeceira da cama, pescoço, bolsa e etc. Substituindo a prática da oração e da confiança em Deus.

Século XIII ano 1220 d.C.
Dogma ou cerimônia do Catolicismo tradicional: A adoração ao Cristo na hóstia. No Catolicismo popular acontece uma idolatria da hóstia.

Século XIV ano 1311 d.C.
Dogma ou cerimônia do Catolicismo tradicional: A oração da Ave-Maria. No Catolicismo popular tal reza substitui as orações. E se transforma em uma evocação dos poderes intercessores da semideusa mãe junto ao seu filho Deus.

Século XVI ano 1562 d.C.
Dogma ou cerimônia do Catolicismo tradicional: Confirma-se o culto aos santos (“dulia”: “culto prestado aos santos e aos anjos”). No Catolicismo popular esses santos passam a ser cultuados como divindades. Porque o católico comum não sabe distinguir na prática a latria (adoração devida a Deus) de dulia. E nem o mais intelectuais conseguem diferenciar na teoria. No próprio catecismo não se trás uma clareza sobre o assunto. Veja a derrocada tentativa do catecismo de diferenciar, por exemplo, o culto a Maria (hiperdulia) da latria: “... Este culto (...) embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encarnado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente”. (Pág.274, § 971). Você consegue entender nesse texto as partes “difere” e “mas o favorece poderosamente”? Percebe-se uma certa ambiguidade no texto.

Século XIX 1854 d.C.
Dogma ou cerimônia do Catolicismo tradicional: A definição da Imaculada Conceição de Maria. No Catolicismo popular Maria torna-se uma semideusa imaculada.

Século XX 1950 d.C.
Dogma ou cerimônia do Catolicismo tradicional: A transformação da assunção de Maria em ponto doutrinário. No Catolicismo popular Maria torna-se uma semideusa mãe e senhora dos céus. Cheia de prerrogativas divinas, tais como onisciência, onipotência, onipresença, imortalidade, protetora e etc.

Algumas datas acima são aproximadas. Durante os séculos muitas doutrinas da igreja eram discutidas antes de serem finalmente aceitas e promulgadas como ponto doutrinário ou dogmas. Por isso alguns teólogos católicos poderão citar datas diferentes.

DOGMAS DA IGREJA HERESIAS DO POVO

O Catolicismo popular possui muitas heresias que foram desenvolvidas a partir dos dogmas da Igreja Católica. Iremos analisar quatro delas, pois são as que mais nos confrontamos quando estamos conversando com o povão. Principalmente no interior do Brasil. Basta apenas analisarmos algumas delas para se comprovar isso:

O DOGMA DA PENITÊNCIA

O catolicismo Romano define este dogma da seguinte forma: “A absolvição tira o pecado, mas não remedia todas as desordens que ele causou. Liberto do pecado, o pecador deve ainda recobrar a plena saúde espiritual. Deve, portanto, fazer alguma coisa a mais para reparar seus pecados; deve ‘satisfazer’ de modo apropriado ou ‘expiar’ seus pecados. Esta satisfação chama-se também ‘penitência’.” (retirado do Catecismo pág.402, §1459).

Contestação – Os católicos seguem fielmente a penitência, crendo que essas boas obras são exigidas por Deus para fazer compensação por seus pecados e restaurá-los à “plena saúde espiritual.” Os fiéis chegam ao extremo das limitações humanas. Muitos conhecidos como “romeiros”, fazem grandes caminhadas, umas a pé outras até de joelhos. Uma verdadeira negação ao sacrifício de Jesus camuflada de “atos de fé e devoção”. Este dogma desafia a Palavra de Deus e degrada a obra de nosso Senhor Jesus Cristo na cruz do Calvário (1). O sacrifício de Jesus não foi incompleto, como se precisasse de um reforço ou um complemento! Observe a orientação dada pela igreja sobre como se faz a penitência: “... pode consistir na oração, numa oferta, em obras de misericórdia, no serviço do próximo, em privações voluntárias, sacrifícios, e principalmente na aceitação paciente da cruz que temos de carregar.” (retirado do Catecismo pág.402-403, §1460). Entretanto, o sacrifício de Jesus na cruz anulou toda a necessidade de ofertas ou obras de expiação (2). Carregamos a cruz não por penitência, mas por rendição e constrangimento ao ato de amor que Cristo se ofereceu por nós. Se ele sofreu todas as dores e tormentos por meus pecados nós sofreremos sem murmurações o que ele permitir que passemos.

O DOGMA DA HIPERDULIA – o culto especial a Maria.

Na apologia cristã evangélica isso se chama de “mariocentrismo” e “mariolatria”: comportamento religioso do catolicismo romano que gira em torno de Maria e do culto que é prestado a ela e suas imagens. No Catolicismo popular Maria é o centro de preces, devoção e adoração. Jesus praticamente é ofuscado pelo culto a semideusa mãe.

Contestação – Porém, para a igreja do primeiro século o centro de tudo era Jesus (3). A idolatria a Maria é flagrante dentro do catolicismo popular, que é coberto por um discurso eufêmico de “veneração” pelo catolicismo tradicional. Bem como o uso de supostas réplicas de suas feições. Porém Jesus foi muito claro: “... Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto”. (Mt.4.10). A “hiperdulia” é uma adoração e um culto antibíblico e anticristão, uma vez que ambos condenaram tal prática. “Idolatria” é o culto prestado a ídolos. Vem do grego “eidololatreia”. Esse termo refere-se à “adoração” ou “idolatria”. Ou seja, adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, etc., que tome o lugar de Deus, ou lhe diminua a honra que lhe devemos (ver 1Co.10.14). O ídolo (do grego “eidolon”) era e é uma “imagem” ou “réplica” de adoração ou veneração. E a sua prática foi condenada tanto no antigo (Êx.20.4,5) quanto no novo pacto (1Jo.5.21; 2Co.6.16). Portanto, a “hiperdulia” (culto especial a Maria), bem como a dulia (culto aos santos e aos anjos) é um grave pecado cometido pela igreja católica e pelos católicos.
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Maria não é tida apenas como uma santa no catolicismo popular. Veja esta declaração: “Sois onipotente ó Maria... Ó mãe de Deus vossa proteção traz a imortalidade; vossa intercessão, a vida... pois só por vosso intermédio esperamos a salvação.” (retirado do livro “Glórias de Maria” págs.100, 77, 147). Acompanhe o meu raciocínio: Onipotência é um atributo da divindade (4), A intercessão é uma ponte divina humana (5), proteção é um favor divino (6) e a salvação uma dádiva divina (7). Quem é Maria para o catolicismo popular? Só pode ser uma deusa. E quanto a isso a Bíblia é terminantemente contrária (8). A igreja cristã verdadeira tem uma mensagem cristocêntrica (9)! Jesus é o centro de nossas vidas (10).

Obviamente o catolicismo tradicional é conivente com isso. Até porque o próprio Catecismo estimula o mariocentrismo e a mariolatria, como por exemplo, na página 274, §969 diz: “... Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira”. “... A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão. A Santíssima Virgem é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja”. E na página 275, §975: “Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da igreja, continua no Céu sua função materna em relação aos membros de Cristo”.

Ora, a partir do momento que se coloca Maria como “Mãe de todos”, “advogada”, “medianeira” e um “culto” é prestado, ela assume o “centro das atenções”, “prerrogativas divinas” e “toma a adoração” que é para o Trino Deus: “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura”. (11). Veja que o apóstolo Paulo via as prerrogativas divinas como legitimidade de uma divindade (12). Ele usou a palavra grega “phusis” (natureza – características naturais de um ser) para definir a divindade. Se os santos e Maria possuem “phusis theos” (natureza divina) eles são deuses, no mínimo semideuses. O que contraria o 1º mandamento (13). E que se diga de passagem que Maria também é aclamada por Roma como “Senhora”. Expressão usada no N.T. grego como “kurios”, atribuída a Cristo (14), em passagem nenhuma do N.T., se refere a Maria. Ferindo a unidade da própria Igreja de Cristo, que se reza que “há um só Senhor [kurios]”. (15). Em Mt.12.29 fazendo referência a Dt.6.4. A palavra “kurios” se faz representar o nome divino: “Yehovah”.

Todo o argumento da teologia católica de que pessoas receberam glória na Bíblia são argumentos sem sustentação. Porque a palavra glória tem uma polissemia muito clara. Um estudante sério das Escrituras não confundiria, por exemplo, a glória citada por Paulo aos cristãos em Rm.2.10 com a glória citada por João a Cristo em Jo.1.14. O mesmo ocorre com os outros substantivos “honra”, “louvor” e etc. São textos que não passam de pretextos. O mesmo ocorre com a questão da chamada adoração da bandeira nacional. Onde ninguém nunca se viu o governo aclamando que a nossa bandeira tenha poderes milagrosos ou que ela tenha prerrogativas divinas nos céus. Usam-se também as passagens do Antigo Testamento onde Deus manda confeccionar imagens de anjos e etc. Assunto dirimido no meu texto “Tipos de Imagens” postado aqui, e que também foi postado no jornal O Povo do dia 31/08/2008 em Fortaleza – Ce.

O DOGMA DA PRIMAZIA PAPAL, LINHAGEM APOSTÓLICA E DA EXCLUSIVIDADE DE ROMA

Todos os católicos são orientados de pai para filho acerca desde assunto. No Catecismo reza-se: “Esta é a única Igreja de Cristo que no Símbolo confessamos una, santa, católica e apostólica.” pág.232 §811. Cita-se sempre o texto de Mt.16.18,19 e Jo.21.15-17 onde sofismam que Pedro era o líder supremo de uma única igreja suprema. Aqui, dividirei minha contestação em três partes:

PARTE A – Com base em Mateus 16.18: Quem é a pedra fundamental da igreja?

“Pedro” (traduzida do grego) ou “Cefas” (palavra aramaica) foi um nome dado por Jesus ao apóstolo, que antes se chamava “Simão” (16). O N.T. foi escrito em grego, e a palavra grega traduzida por “Pedro” em Mateus 16.18 é "petros" (uma rocha ou uma pedra), diferente da palavra grega traduzida por “pedra” no mesmo texto que é "petra" (rocha, penhasco, grande pedra). Observe a diferença: quando Jesus diz “tu és Pedro” Ele não está dizendo que ele é a “pedra fundamental” da igreja cristã, mas possivelmente uma “pedra bruta” que poderá ser uma “pedra de construção” (do grego “lithos” usada em outro texto). E quando Jesus diz “sobre esta pedra edificarei minha igreja” Ele referiu-se a si mesmo e não a Pedro. Esta palavra grega “petra” (traduzida por “pedra” no texto) é associada a Cristo pelo apóstolo Paulo em 1Co.10.4: "e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo." Isso ocorre porque a palavra “pedra” foi um título dado a Jesus em profecias messiânicas (17). Por isso, quando Pedro responde “tu és o Cristo” (18), ficou para Jesus fazer a confirmação se a resposta de Pedro era correta e reitera-la com suas palavras. Concluindo-se em: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus” (confirmação da resposta de Pedro) e “sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (reiteração de Cristo). O próprio Pedro anos mais tarde reiterou também: "Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo". (19). Pedro faz uma sinédoque da palavra grega “lithos” (pedra) para Jesus e para todos os cristãos. Onde ele revela Cristo como a “pedra fundamental” e os demais cristãos, inclusive ele sem nenhuma exclusividade ou pretensão, como “pedras de construção”.
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Parafraseando o diálogo entre Cristo e Pedro “dentro do contexto” ficaria mais ou menos assim:

JESUS pergunta: “... quem dizeis que eu sou?” (20)

PEDRO responde: “... Tu és o Cristo [a pedra fundamental]” (21).

JESUS aprova a resposta de Pedro: “Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus”. (22).
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E JESUS reitera com suas palavras: “Também Eu te digo que tu és Pedro [uma pedra], e sobre esta pedra [fundamental] edificarei a minha igreja...”. (idem).

Portanto, a “pedra” que a igreja cristã fundamenta-se não é Pedro, e nenhum Papa. Pois dentro do contexto do diálogo entre Jesus e Pedro, do contexto do Novo Testamento na palavra grega “petra” traduzida por “pedra” e do contexto da “pedra angular” do Antigo Testamento, tudo aponta para Cristo. Inclusive, essa minha contestação é confirmada nas palavras do próprio Santo Agostinho: “Sobre essa rocha, portanto, disse Ele, a qual tu confessaste, edificarei a minha igreja. Porque a rocha (petra) é Cristo; e neste fundamento o próprio Pedro foi edificado”. (Agostinho , On the gospel of John, Tratado 12435, The Nicene and Post-Nicene Fathers Series I, 7.450).

Quanto ao verso 19: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus”. Esse texto não prova que Pedro viesse a ser o supremo pastor da igreja cristã, ele próprio dizia que o supremo pastor era Cristo (23). Jesus estava apenas profetizando que Pedro daria início ao plano de salvação, o que realmente veio a acontecer em At.2.14-41. E se diga de passagem que Jesus deu a todos os apóstolos essa mesma autoridade (24).

Quanto ao texto de Jo.21.15-17: Não há base alguma para a alegação dos católicos de que Jesus confiou a Pedro o cargo de pastor universal de seu rebanho. Ora, se o triplo mandamento de Jesus a Pedro para que apascentasse os seus cordeiros e ovelhas, significa-se que Pedro deveria ser o único Pastor do rebanho ou igreja, então a tríplice resposta de Pedro à pergunta: “Tu me amas?”, significaria que Pedro era o único que amava o Senhor. No entanto, as Escrituras claramente nos provam que apascentar o rebanho de Cristo não foi tarefa exclusiva de Pedro, mas de todos os apóstolos, pois a igreja se alimentava da “doutrina dos apóstolos” e não da doutrina de Pedro (25), era pastoreada por todos os bispos (26) e presbíteros (27).

PARTE B – Há uma linhagem “Apostólica” e de “Pedro” até os dias atuais?

Não podemos esquecer de que todos os dogmas acrescentados ao longo da história foram aceitos pela a Igreja baseados no pressuposto de que os Papas foram sucessores de Pedro e eles juntamente com os bispos continuaram com autoridade apostólica e pertencente ao colégio apostólico, daí porque chamam Igreja Católica Apostólica Romana. Ensina-se que o Papa é o sucessor de Pedro e substituto do próprio Cristo: “O Papa, Bispo de Roma e sucessor de S. Pedro, em virtude do seu múnus de Vigário de Cristo e de Pastor de toda a Igreja, possui poder pleno, supremo e universal...”. (Catecismo, p.253, §882). Mais acima diz: “... o Romano Pontífice, sucessor de Pedro, e os Bispos, sucessores dos Apóstolos, estão unidos entre si”. (Idem, §880). Porém quatro questões devem ser levantadas perante essas declarações:

1. Em At.1.15-26 apresenta dois critérios para o apostolado: 1o era necessário ter convivido com Jesus no tempo em que Ele esteve na terra; 2o era necessário ser testemunha da ressurreição de Cristo (28). Que eu saiba, deste Gregório I (590-604 d.C.), e os bispos da época, até os atuais, nenhum desses, encaixam-se nos critérios aqui mencionados.
2. Em Jo.14.26; 16.13; 14.16; 1Co.2.12-13 vemos nitidamente que o vigário (substituto) de Cristo não é o Papa, mas sim o Espírito Santo de Deus. Jesus é a “cabeça” da igreja e na sua ausência temos o Espírito Santo!
3. Em Lc.22.25-26; 1Co.3.10,11; Mt.7.24-27; Mt.16.18; 1Pe.2.4-8 são unânimes em concordar que Jesus é o líder geral da Igreja e que ela não precisa de outra cabeça pois Ele mesmo já é (29). Todos os dons ministeriais existem para a edificação do corpo de Cristo, a cabeça (30). Observe que esses “dons” não foram dados só á Pedro, mas aos outros: “E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres.” (31).
4. Não há um texto da Bíblia que prove Pedro ter primazia sobre os demais. Quando este sentimento fermentava o coração de alguns, Jesus ensinava: “Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva”. (32). Jesus disse isto porque Tiago e João queriam a primazia (33). O Papa tem autoridade sobre o seu ministério, assim como o líder geral de cada ministério tem. Porém sob o ministério de Cristo é tomar o lugar do Espírito Santo e monopolizar o Cristianismo. Pedro foi vocacionado por Jesus para pastorear: “... Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.” (34), mas não para lhe tomar o lugar no trono!

Vejamos alguns questionamentos bíblicos a despeito deste suposto papado de Pedro ou que Pedro viera a ser o primeiro papa ou sucessor de Pedro:

· Onde está a passagem nas Escrituras que atribui a Pedro a posição de papa, ou cabeça visível da igreja?

· Se Pedro tivesse sido ordenado soberano sobre os demais apóstolos porque não há uma passagem bíblica chamando-o de “cabeça”, “sumo sacerdote”, “sumo pontífice” ou “Sua santidade”?

· Se Pedro tivesse a primazia sobre os demais apóstolos porque ele não fez, sozinho, a escolha dos diáconos em At.6.1-6?

· Se Pedro fosse supremo, um papa, não parece estranho que os apóstolos em At.8.14 o tivessem mandado a Samaria?

· No concílio de Jerusalém, em At.15.1-29, os apóstolos se reúnem para examinar uma questão (v.6), Pedro dar sua parcela de participação no concílio (v.7-11), Paulo e Barnabé participam também (v.12), Tiago pronuncia as últimas palavras (v.13-21) e finalmente decidem todos juntos aquela questão enviando uma carta aos gentios (v.22-31). Se Pedro fosse papa, reconhecido pelos apóstolos e presbíteros, ele não poderia decidir a questão exclusivamente por seu voto? Ele não deveria presidir toda a reunião?

· Se Pedro fosse papa, porque Paulo não menciona o ofício dele em Ef.4.11-16?

PARTE C – A igreja Católica Romana é a única igreja cristã?

Visivelmente falando, não existe uma única igreja cristã, para que isso ocorresse deveria ter um único líder cristão. E esse cargo já é ocupado por Jesus Cristo. Ele é a cabeça da igreja cristã: “antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”. (35). A igreja cristã é representada por várias igrejas locais com seus respectivos pastores, bispos ou presbíteros: “Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue.” At.20.28, veja também 1Pe.5.1-4.

A verdade deve ser dita - Igreja nenhuma salva. Somente Jesus Cristo pode salvar e só ele exerce esse papel (36). Ele é que é o único caminho e a única verdade (37). A verdadeira igreja de Cristo não é definida por um rótulo denominacional ou por seu tempo de existência, mas pela sua proclamação fiel da Palavra e de seu testemunho perante os homens (38). Se fracassar nisso, não passará de uma aglomeração de fariseus (39).

Portanto, com esse flagrante exclusivismo, a Igreja Católica Apostólica Romana se assemelha a uma seita cristã.

O DOGMA DA IMACULABILIDADE DE MARIA E DA INTERCESSÃO DOS SANTOS

a) Os santos Católicos são imaculados ou só Maria é imaculada?

Há um mito muito grande colocado nos “santos” da Igreja Católica pelo Catolicismo popular. O católico não compreende que “santo”, sem pecado, só há um, que é Deus (40). Seus santos tornam-se imaculados como o Deus trino. Porém, a Palavra de Deus é clara, toda a raça humana nasce de baixo de pecado (41). A morte é a prova de que toda humanidade é pecadora (42).

Os santos da Igreja Católica não são mais santos do que qualquer cristão da Igreja. A santidade humana é diferente da divina. Deus é santo “imaculado”, nós somos “santos”, “separados” do mal para servi-lo, “santificados” por Deus e não por conta própria (43).

Na Bíblia a expressão “santo” é um adjetivo atribuído a Deus, aos anjos e aos homens. Contudo, não precisamos de uma análise meticulosa para percebermos que quando se atribui a Deus tem uma diferença gigantesca quanto aos demais seres, inclusive a Maria. O texto de Ap.15.4, por exemplo, diz: “Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo...”. O próprio ser angelical que fala faz distinção do adjetivo “santo” quando atribuído a Deus. Maria e os demais santos e anjos, todos foram atingidos pelo pecado (44). E são santos pela graça divina. Enquanto que Deus é santo por qualidade divina. Por isso, o termo “imaculado” é um termo exclusivo de Deus.

Na verdade, nesta questão, há uma desarmonia entre o Catolicismo popular e o Catolicismo tradicional. O Catecismo (que é a fonte doutrinária do catolicismo tradicional) não apresenta os santos como “imaculados”, mas como “modelos de santidade” (conforme o Catecismo, p.238, §828). Segundo o catolicismo tradicional, esse termo é usado exclusivamente para Maria (conforme o Catecismo, p.138, §490-492 e p.143, §508). O que também não deixa de ser um equívoco. Pois Maria foi gerada por meio natural de reprodução humana (o ato conjugal de marido e mulher), assim ela nasceu com pecado original. Do contrário a Igreja Católica teria que empregar a imaculabilidade a toda origem dela. Ao afirmar que Maria “foi preservada imune de toda mancha do pecado original” os autores do Catecismo não percebem que, para isso, a mãe de Maria deveria nascer sem pecado também; a mãe da mãe de Maria também; a mãe, da mãe, da mãe, de Maria igualmente e assim sucessivamente até chegar em “Eva”, que deveria estar sem pecado, mas ela pecou e seu marido também (45). Por isso, toda humanidade nasce com o pecado original, bem como Maria (46). Do contrário, se Deus pôde tornar Maria sem pecado sem precisar fazer isso com toda a sua genealogia, porque Ele não fez isso com toda humanidade que o buscasse? Pouparia assim a crucificação de seu Filho.

Para justificar essa imaculabilidade exclusiva de Maria o Catecismo prossegue afirmando que ela, “para ser a Mãe do Salvador”, “foi redimida desde a concepção”. Ora, Deus não precisava tornar Maria sem pecado para gerar Jesus. Ele só precisava de uma virgem santa e temente a Ele para que o Espírito Santo fizesse a obra. Cristo nasceu “imaculado” por mérito do Espírito Santo e não de Maria. A passagem de Jo.3.6, embora dentro de outro contexto, faz distinção entre geração da “carne” e do “Espírito Santo”.

José não teve relações com Maria para gerar Jesus. Nisso o catolicismo concordará comigo. Sendo assim, como a concepção de Jesus foi “sobrenatural”, conforme Mt.1.20, aquilo que o catolicismo tenta justificar sobre a imaculabilidade de Maria no seu Catecismo não justifica e nem encontra sustentação na Bíblia Sagrada.

b) Podem os santos interceder entre Deus e os homens?

Quanto a intercessão dos “santos”, o Catecismo reza: “...A sua intercessão é o mais alto serviço que prestam ao plano de Deus. Podemos e devemos pedir-lhes que intercedam por nós e pelo mundo inteiro.” (p.689, §2683).

Contestação: Este múnus é exclusivamente de Jesus Cristo: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (47). Devemos tomar cuidado com o eufemismo aqui. Tanto “mediador” quanto “intercessor” vão levar ao mesmo raciocínio. Mediador pode significar “medianeiro”, que por sua vez significa “intercessor”. O termo grego usado no texto é “mesites”, que tem o significado de: “alguém que fica entre dois”, “mediador de comunicação” e “arbitrador”. E para irmos a Deus só precisamos de Cristo, não precisamos de ninguém! Observe que Jesus está “entre Deus e os homens”. E não entre Deus e os santos ou Maria. O presente texto anula toda e qualquer oportunidade de se pedir aos santos ou Maria para que estes peçam a Jesus para ele pedir ao Pai. Tornando-se um preceito absoluto.

Entre Deus e os homens há um grande abismo intransponível! Ninguém pode ir diretamente ao Pai senão por Cristo (48). Jesus é a “ponte” que liga o homem a Deus. Cristo já é o intercessor (49). Devemos ir diretamente a Ele: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” (50). E mais, só Jesus é chamado de Sumo sacerdote e mediador (51). Não há uma referência bíblica tratando outra pessoa na Nova Aliança como Sumo sacerdote e Mediador dessa aliança.

Jesus recebeu todo o poder para ouvir nossas preces (52). A expressão “em meu nome” usada por Cristo, aparece 18 vezes no Novo Testamento (na versão ARA). Usar o nome de outras pessoas para preces serem ouvidas é negar tudo o Cristo oferece. É dizer que a intercessão dele precisa de um reforço ou complemento dos santos que já morreram e nem ressuscitaram. E onde se encontram não podem fazer nada por ninguém (53). Para que um “santo” católico fosse mediador ou intercessor da Nova Aliança, teria que ter duas naturezas: uma divina e humana. Ser Deus como Jesus (54) e homem como Ele foi (55). Nisso, todos os santos são incompletos, inclusive Maria.

A intercessão de Cristo é suficiente. Isso significa dizer que não precisamos de outros intercessores ou medianeiras para complementar. Por isso que os reformadores declararam: “Solus Christus” (Somente Cristo).

CONCLUSÃO

A Igreja de Roma contribui em levar o povo a uma religiosidade pagã. Por intermédio dos seus dogmas a população é estimulada a praticar coisas que transgridem a Palavra de Deus e não há um mínimo de esforço do magistério da igreja para remoção destes ensinos espúrios ou se quer de dar uma orientação à população. Pelo contrário, as literaturas, estatuetas, velas, rezas e canções expostas em suas livrarias, altares e estandes de suas paróquias são verdadeiros estimulantes da imaginação, perversão e sincretismo popular.

ÍNDICE DE CONCORDÂNCIA BÍBLICA:

(1) 1João 1.9; Hebreus 8.12; 10.17-18; Gálatas 2.16,21; Isaías 53.5; 64.6; (2) Hebreus 9.24-26; 10.8-12; (3) 1Coríntios 3.11; (4) Salmos 91.1; (5) 1Timóteo 2.5; (6) Salmos 59.16; (7) Isaías 43.11; Atos 4.12; (8) Êxodo 20.1-5; Isaías 42.8; 1Coríntios 8.4; (9) Efésios 4.5; (10) Romanos 11.36; Clossenses 1.16b; (11) Isaías 42.8; (12) Gálatas 4.8; (13) Êxodo 20.3; (14) João 13.13; (15) Efésios 4.5; Judas 4; (16) João 1.42; (17) Isaías 28.16; Zacarias 10.4 e Salmos 118.22; (18) Mateus 16.16; (19) 1Pedro 2.4,5; (20) Mateus 16.15; (21) idem v.16; (22) idem v.17,18; (23) 1Pedro 5.4; (24) Mateus 18.18; (25) Atos 2.47; (26) Atos 20.28; (27) 1Pedro 5.2; (28) 1Coríntios 15.3-11; 9.1-3; Gálatas 1.1; (29) Efésios 5.23; (30) Idem 4.11-13; (31) idem v.11; (32) Marcos 10.43; (33) idem v.35-42; (34) João 21.17; (35) Efésios 4.15; (36) Atos 4.12; Isaías 43.11; (37) João 14.6; 17.3; 1João 5.20; (38) João 8.31; 13.35; 15.8; Mateus 5.13-16; Tiago 1.22-25; (39) Mateus 5.20; (40) Apocalipse 15.4; Jó 15.15,16; (41) Romanos 3.23; 5.12; Salmos 51.5; (42) Romanos 6.23; 1João 1.10; (43) 1Tessalonicenses 5.23; 1Coríntios 1.2; 6.11; Hebreus 2.11; 10.10; (44) Romanos 3.22,23; Jó 15.15,16; (45) Gêneses 3.1-23; (46) Romanos 5.12; (47) 1Timóteo 2.5; (48) João 14.6; (49) Hebreus 7.25; (50) Mateus 11.28; (51) Hebreus 9.11,12,15; (52) Mateus 28.18; 1João 2.1; Hebreus 7.23-27; Mateus 18.20; (53) Jó 7.9,10; Eclesiastes 9.5,6; Salmos 115.17; Lucas 16.19-31; (54) João 1.1; (55) idem 1.14.

FONTES UTILIZADAS:
Por Amor aos Católicos Romanos, Chick Publications, por Rick Jones
Série Apologética volume I, editora ICP
Coleção Revista Defesa da Fé – editora ICP
Seitas e Heresias, editora CPAD, Raimundo F. de Oliveira
Resposta às Seitas – Editora CPAD, por Norman Geisler e Ron Rhodes
O Apóstolo Pedro foi Papa? Editora Vida Cristã, James M. Tolle
Bíblia eletrônica Standard 2G
Bíblia eletrônica Oline 3.0 versão ARA c/ léxico grego e hebraico. Bíblia hebraica, grega e LXX.
Enciclopédia eletrônica Mundo Bíblico.
Catecismo da Igreja Católica – Edição Típica Vaticana. Edições Loyola, 1997.


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