segunda-feira, 1 de junho de 2009

A FALÁCIA DA UNIDADE CATÓLICA




Já virou jargão religioso os fiéis católicos acusarem os evangélicos de “seita” por serem pertencentes a uma diversidade denominacional. Esse discurso simplório já chegou às minhas mãos em forma de texto escrito – uma carta. Colocaram na caixa de correspondência da Igreja que pastoreio. E em meio a vários sofismas doutrinários fazendo apologia ao catolicismo romano e injúrias dirigidas ao povo evangélico contido nesse texto, o que me chamou mais atenção foi a seguinte frase, datilografada em máquina de escrever, em seu rodapé:

“Advertência bíblica contra divisão/desunião: Mt.12.25; 16.18; 1Co.1.10; 14.33; Ef.4.3-6 ... Deus da UNIDADE .... Todas as Igrejas Católicas são UNIDAS*. Aliciadores das seitas, iluminadas p/ maligno promovem desunião”.

VEJAMOS AGORA QUAL O INTERESSE DESSE ARGUMENTO E QUEM É QUE PROMOVE VERDADEIRAMENTE A DESUNIÃO:


A Igreja Católica Apostólica Romana (doravante chamarei ICAR para evitar repetição da mesma frase) tem usado essa falácia como “fundamento de verdade” ou de “igreja verdadeira”. Ora, Jesus deixou entendido que o reino de Satanás é unido (Lc.11.18) e nem por isso significa dizer que Satanás e seus demônios são verdadeiros. É bom lembrar que ele é o pai da mentira (Jo.8.44). Esse argumento é só uma camuflagem para cobrir as verdadeiras intenções:

1) Fortalecer a hegemonia da ICAR tão ameaçada nesses últimos anos. Principalmente aqui no Brasil;
2) Reconquistar o antigo monopólio medieval da fé cristã, algo que a ICAR tem nostalgia;
3) Justificar a falta de argumentos bíblicos diante das objeções evangélicas aos dogmas da ICAR.

Assim, com o uso da falácia de “UNIDADE” a ICAR tenta passar adiante suas verdadeiras intenções aqui desmascaradas.

É tão provável que as intenções supracitadas são verdadeiras que não encontramos sustentação bíblica que venha legitimar o argumento de “UNIDADE” do jeito que a ICAR apresenta. Se não vejamos:

1) Onde você encontra na Bíblia Sagrada a citação de alguma denominação cristã? A ICAR revoga para a si um direito que não lhe pertence. Pois, a mensagem e a fé cristã não pertencem a uma organização religiosa, mas ao povo cristão e é patrimônio da humanidade. Citações bíblicas como: “... fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade”. (1Tm.3.15). E outras mais citadas pelos apologistas católicos, não dizem nada sobre a ICAR. É uma referência ao povo de Deus. A Igreja de Cristo está despreendida de placas denominacionais. Quando Paulo cita o termo “Igreja de Deus” ele não faz menção à denominação nenhuma! Além do mais, na época em que o texto foi escrito não havia uma “Igreja Organização Religiosa”. A ICAR veio a surgir como uma “Organização Religiosa” logo no início do século IV, pelo chamado Constatino (280-337 d.C.) que ascendeu ao posto de imperador. Em 312 d.C. apoiou o cristianismo e o fez religião oficial do Império Romano. Desta época em diante é a melhor data sugestiva para a origem da ICAR. Em seguida o bispo Leão I (440-461 d.C.) foi o primeiro bispo a afirmar que Roma tinha a plena primazia sobre toda a cristandade. O título “Papa” passou-se então a ser aplicado a cada sucessor ao cargo de bispo de Roma. E a ICAR passou a ser tida como o centro desta suposta unidade.

2) Quem disse que a ICAR é UNIDA? Em 1054 houve um rompimento na igreja. De onde surgiu a Igreja Católica Oriental ou Ortodoxa. E dentro da ICAR existe subfacções que não diferenciam da diversidade denominacional das igrejas evangélicas. Temos por exemplo a TFP – Tradição Família e Propriedade, Opus Dei, RCC – Renovação Carismática Católica, Teologia da Libertação, o Movimento Liberal que apóia o aborto, uso de preservativos, drogas anticoncepcionais, casamento de padres e freiras, uso de células tronco, etc. Em 2009 vários católicos liberais fizeram oposição a ICAR sobre a proibição do uso do preservativo e sobre a excomunhão da família que autorizou o aborto de gêmeos em uma criança de 9 anos de idade que foi violentada pelo padrasto na Bahia.
A Bíblia diz: “Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra. E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre”. (Atos 15.38,39). Veja bem, se entre pessoas é difícil praticar unidade (veja Paulo e Barnabé) quanto mais argumentar uma unidade “organizacional” como base para ser “igreja verdadeira”.

3) A UNIDADE que devemos ter que a Bíblia expressa em várias passagens é a unidade da fé. Temos que perseverar na mesma fé que os santos apóstolos ensinavam (At.2.42). A fé que nos foi entregue desde o princípio (Judas v.3) e que não podemos recuar (Hb.10.38). A ICAR tem a mesma fé que eles pregavam? Eu vou colocar a seguir vários pontos que provocam GRANDE DIVISÃO entre a Igreja Cristã do primeiro século d.C. e a ICAR só para você ver que o argumento católico de UNIDADE é uma falácia. Pois, a ICAR não tem a mesma fé que os santos apóstolos ensinavam. Se não, vejamos:

a) Em Efésios 4.5 ensina que “há um só Senhor”. (ver também 1Co.8.6). A unidade da Igreja Cristã do primeiro século preservava e assegurava que somente Cristo era “Senhor”. Entretanto, a ICAR é desunida, pois alimenta Maria como “SENHORA”. Lembrando aqui que o termo usado para “senhor” presente no texto é genérico (que se referem ambos os gêneros, seja masculino ou feminino. Isto é, “senhor ou senhora”);

b) Em 1Timóteo 2.5 ensina que “há um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus”. A unidade da Igreja Cristã do primeiro século não reconhecia outros medianeiros. Contudo, a ICAR prega Maria como “medianeira” e ainda os santos em seu panteão de ídolos do Catolicismo Popular. No catecismo da ICAR, “iluminado pelo maligno” (como disse o remetente anônimo da carta) promove desunião no cristianismo. Pois fala o contrário do que a Bíblia disse aqui, veja: “... a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira”. (pág. 274 § 969) O termo usado pelo apóstolo Paulo é absoluto “um só” mediador. Não tem como argumentar ou querer fugir da verdade. É inadmissível dentro de uma Nova Aliança que Deus fez com os homens, aceitar outro ser fora Jesus Cristo como “mediador”. Mas, a ICAR se acha no direito de fazer isso. Assumindo seu papel de “desunida”;

c) Em Mateus 4.10 o nosso próprio Senhor Jesus Cristo disse: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto”. E toda a Igreja Cristã do primeiro século ratificou como vemos em: Ap.22.9; 19.10; At.17.16; 1Co.10.14; 2Co.6.16; 1Ts.1.9; 1Jo.5.21; etc. Mas, a ICAR prega a “dulia” (culto aos santos) e a “hiperdulia” (culto especial a Maria). Ora, o que é o ídolo? Será que é apenas um objeto em forma de pessoa ou animal que se diz que é um deus? Será apenas uma réplica de um deus pagão? O ídolo é qualquer ser ou coisa em quem depositamos intensa devoção. Portanto, esse culto aos santos e a Maria torna-se “idolatria” pelo simples fato de lhes ter uma devoção igual ou até superior a Deus e também por causa dos “atributos divinos” que lhes são dados dentro da doutrina da ICAR. Eu poderia numerar vários, dentro tantos: salvação, onipresença, onisciência, perdão de pecados e soberania;

d) Em 1João 1.9 diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Para a Igreja Cristã do primeiro século, a confissão e também o arrependimento dos pecados (Atos 3.19) eram suficientes para os nossos pecados serem perdoados. Mas a desunida da ICAR criou o dogma da penitência, que se define da seguinte forma: “A absolvição tira o pecado, mas não remedia todas as desordens que ele causou. Liberto do pecado, o pecador deve ainda recobrar a plena saúde espiritual. Deve, portanto, fazer alguma coisa a mais para reparar seus pecados; deve ‘satisfazer’ de modo apropriado ou ‘expiar’ seus pecados. Esta satisfação chama-se também ‘penitência’.” (retirado do Catecismo pág.402, §1459). Tal ensinamento entra em confronto direto com a expiação de Jesus pelos nossos pecados. Ou aceitamos o sacrifício suficiente e perfeito de Cristo ou o enfraquecemos com esse dogma da ICAR. Porém, a Bíblia fecha essa questão na seguinte passagem: “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus”. (Hb.10.12). Eu não preciso fazer mais nenhuma “coisa para reparar” meus pecados. Cristo fez por mim (Is.53.4,5)! Era isso que a Igreja Cristã do primeiro século pregava (idem 9.24-26) e a ICAR prega o contrário, promovendo desunião.

Existem mais itens conflitantes na doutrina da ICAR que provocam grande divisão, mas vou ficar por aqui.

CONCLUSÃO

A pessoa que remeteu a carta para mim é um pobre coitado que não tem noção de “unidade” e nem se quer sabe que está alheio ao verdadeiro cristianismo. Que não é definido por uma “placa denominacional” (igreja A, B ou C), mas: 1º por uma fé voltada exclusivamente para Jesus Cristo (solus chirtus!). Ele mesmo disse: “... ninguém vem ao Pai senão por mim”. (Jo.14.6b). 2º por uma vida de santidade “na vida” e não “na morte”, como promove a ICAR com seus dogmas do purgatório, missa do sétimo dia, extrema unção. Assim é que se define corretamente uma igreja cristã verdadeira: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo”. (Tg.1.27). 3º por um compromisso exclusivo com a Bíblia Sagrada (sola scriptura!), que é a Palavra de Deus. Como cita em sua própria defesa: “Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda, e sejas achado mentiroso”. Também diz: “... não ultrapasseis o que está escrito...” (1Co.4.6b). Diz mais: “Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus...”. (1Pe.4.11). E ainda: “Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela...”. (Dt.4.2).

Já dizia o nosso querido pastor Billy Graham: “Pode haver muitos caminhos que nos levem a Jesus, mas só ele nos leva a Deus”.


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