quarta-feira, 13 de abril de 2016

A PROBLEMÁTICA DO DÍZIMO


Para os desigrejados (quem não faz parte de uma igreja local ou denominação), qualquer sistema de contribuição com a instituição religiosa é visto com antipatia, pois são esses recursos que mantêm a instituição eclesiástica. Para alguns igrejados (que pertence a uma igreja local ou denominação) o dízimo não tem sido dado a devida atenção, em virtude dos desafetos com o abuso dos líderes eclesiásticos, criou-se uma repulsa aos assuntos relacionados a dinheiro, dízimos, contribuições para uma igreja local.

Sendo adeptos do antinomismo, os desigrejados sepultam a interpretação bíblica sobre o dízimo junto com o Antigo Testamento sob o argumento que no Novo Testamento não se fala de dízimo na igreja apostólica, mas como querer base bíblica para o dízimo na igreja do NT se quase todos, nos 30 primeiros anos, eram judeus? Os cristãos viveram nas sombras do judaísmo até o ano 70 d.C., e depois desta data a perseguição se estendeu até 313 d.C., é impossível se embasar o dízimo na igreja primitiva.

O dízimo é uma prática do Antigo Testamento, por isso não deve ser observado? 
O assunto dízimo realmente incomoda a muitos. Acredita-se que seja pelos abusos das instituições eclesiásticas de linha neopentecostal como também pelo coração avarento dos próprios críticos. 

Implicam em afirmar que o dízimo é uma prática do Antigo Testamento. Ora, o casamento era prática do Antigo ou do Novo Testamento? O culto? O congregar? O grande problema dos desigrejados é sua repulsa total ao Antigo pacto sob a alegação de que estão em uma Nova Aliança. Essa linha de raciocínio esquece: dos princípios, dos mandamentos universais e das verdades práticas contidas no Antigo Testamento que não morrem junto com sua abolição (Hb.7.18; Cl.2.14). A Bíblia afirma que: “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça”. (2Tm.3.16). Anula esta declaração bíblica quem afirma que não se podem tirar todos estes proveitos do Antigo Testamento. Esta verdade é confirmada nesta outra passagem bíblica: “Porquanto, tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito...”. (Rm.15.4). Aqui Paulo faz menção clara ao Antigo Testamento.

Tem pessoas que dizem: “Dízimo é maldição, e quem dar o dízimo, está sob maldição”. Convém perceber que o dízimo ou qualquer parte da Lei não é maldição. Pelo contrário, a Lei é boa. Está escrito: “... a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom”. (Rm.7.12). A frase supracitada veio de uma conclusão apressada de Gálatas 3.10 quando diz: “Pois todos quantos são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque escrito está: maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las”. A Lei divina em si, não tem nenhum problema ou maldição alguma. O caos está no ser humano que não tem condições de cumpri-la. Daí se torna maldito por não obedecer (cf. Dt.28.15-45) e nem tem capacidade para cumpri-la (Tg.2.10; 3.2; ). Todavia, quando justificado em Cristo (Rm.3.24; 5.1; 1Co.6.11) e regenerado no poder do Espírito Santo (1Pe.1.23; Tt.3.5), o pecador arrependido e converso é livre de toda a condenação da Lei porque Cristo obedeceu o que ele não poderia obedecer (Rm.5.19) e o resgata da maldição da lei (Gl.3.13), tendo os seus pecados cancelados (At.3.19; Hb.10.17,18) e assim é aperfeiçoado cada dia em santificação (Hb.10.10,14; 1Ts.5.23). A grande questão não é a lei associada ao dízimo, mas o dízimo associado ao princípio: da gratidão, da generosidade e da fé. E como um meio de sustento de uma congregação, com todos os seus compromissos. Todo igrejado faz e sabe dessa cooperação financeira e não tem qualquer ligação com a passagem de Gálatas 3.10 o fato dele utilizar a designação "dízimo" para contribuir na igreja local.

Outros dizem: “Fiéis, em vez de sustentar igreja rica com 10% doe para os pobres”. Essa frase é típica do desigrejado que não aceita qualquer comprometimento com a instituição eclesiástica. O dízimo, embora que visto de forma distorcida como instrumento de barganha por muitos igrejados, principalmente os de denominações neopentecostais, deve ser entregue na congregação. Cabe a cada igreja local, em sua representação na liderança, dar seu destino: social, evangelístico, no sustento do líder, se for de tempo integral, para manutenção do prédio, contas a pagar, etc. Tudo com a devida aprovação de todos os seus fiéis em uma Assembleia Geral de aprovação de contas. Contudo a nossa generosidade pessoal deve transbordar ao dízimo e ajudarmos também ao nosso próximo, mesmo que a igreja local esteja fazendo isso.

Parecer final do Blog Anti-Heresias:

O dízimo era dado no Templo judeu, que durou até o ano 70 d.C., nós cristãos evangélicos devemos apenas adotar a designação: "dízimo", como um referencial, pois se adotarmos junto a designação todo o seu contexto do AT vai dar uma confusão enorme. Pastores, igrejados e liderança evangélicas no geral, fiquem só com a designação, fiquem apenas com o princípio do dízimo, conforme postagem já feita aqui no blog sobre este assunto. Confira aqui. Eu até tento entrar no contexto do AT e reconheço o quanto é um terreno movediço. Leiam as monografias escritas por mim sobre os Desigrejados e pelo teólogo João Bosco sobre o Dízimo, onde até dei uma réplica de sua monografia aqui e ele me deu sua tréplica aqui. Entendam mais sobre os desigrejados e a problemática do dízimo. Tirem suas próprias conclusões, estudem mais. Estas questões precisam da atenção da igreja e precisam ser mais discutidas teologicamente no nível acadêmico.

O dízimo deve ser tido apenas como metonímia da contribuição entregue na congregação no momento do culto. Que, juntamente com as ofertas são apresentadas a Deus como um sinal de fé, gratidão, mordomia e generosidade de cada cristão. Como um ato de louvor a Deus.

Que esta postagem e o conteúdo disponível nela possam trazer mais reflexão para ambos os lados: desigrejados e igrejados.

Fecho aqui citando a frase que ainda está em nossa moeda brasileira:

DEUS SEJA LOUVADO


Texto do blog relacionado: Dízimo, uma posição bíblica e equilibrada

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