quinta-feira, 2 de outubro de 2014

PROPOSTAS DE REFORMA DA IGREJA INSTITUCIONAL - PARTE II

Trechos de minha monografia sobre os desigrejados:

Voltar ao evangelho puro e simples

O evangelho tornou-se impuro tal e qual o evangelho do catolicismo romano. Impuro porque seus valores foram soterrados por muitos pensamentos pagãos e mundanos. E também complicado, porque a igreja evangélica adicionou vários dogmas que sufocam a fé.

O que muitos desses “desigrejados” estão fazendo é na verdade um “nado” para cima em buscar de ar em meio a um oceano de invencionices humanas dentro da instituição. Cheias de ganância, interesses pessoais, heresias, ciúmes, autocracia, tática comercial e até insanidade mental. A proposta de muitos remanescentes da igreja institucional é voltar ao evangelho puro e simples de Jesus. E para isso:

Envolve uma volta a priorização da pregação da mensagem da cruz. Nota-se nitidamente na mídia, a presença da igreja institucional com uma mensagem que prioriza os bens materiais, saúde e auto-ajuda. Isso não trás salvos para dentro da igreja! Isso não gera discípulos de Cristo. A igreja institucional esta cheia de gente ímpia, gananciosa e sem base alguma no verdadeiro cristianismo por conta disso! Da ausência da mensagem da cruz. A Bíblia ensina: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”. (Rm.1.16). Ora, se não é pregado o “evangelho” que consta a mensagem da cruz, como haverá ouvintes convertidos por meio de uma mensagem pregada? Uma ilusão gospel!

Envolve o retorno ao desafio magnífico de Cristo: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”. (Mt.16.24b). Negar as vontades, morrer o eu, tomar o sofrimento consequente da causa da cruz e acompanhar o estilo de vida de Cristo não é animador para aqueles que querem trabalhar uma mensagem agradável e de massageio dos egos. Todavia, se há o desejo de reformar a instituição cristã, esse ato de arrependimento é fundamental.

Envolve falar mais de Jesus e menos de si mesmo e da denominação. O foco das pregações está mais pra uma propaganda da instituição religiosa e uma autopromoção de lideranças do que a proclamação do Cristo Salvador e Senhor. Voltar ao evangelho puro e simples é centralizar, glorificar e singularizar a pessoa de Jesus na proclamação da mensagem da igreja institucional.

Envolve por fim ao show gospel. Isso tem que parar. Tudo tem um show, um espetáculo. A instituição cristã mais parece um circo do que uma expressão visível do corpo de Cristo. Se há o desejo de uma reforma na instituição religiosa, tem que implodir o palco: do exorcismo, da música gospel, da autopromoção, do culto a personalidade, do milagre, das arrecadações financeiras, dos ídolos cantores, das encenações proféticas e das manifestações esquizofrênicas, da manipulação e sugestão mental e do hipnotismo.

Envolve uma filtragem recolhendo todo o sincretismo religioso local inserido na prática do culto evangélico que levou a uma perca de identidade. Onde ninguém sabe mais o que seja: se é uma instituição cristã ou um terreiro de candomblé ou uma mesquita islâmica ou um bosque budista ou uma loja maçônica. Portanto, a filtragem de todo o sincretismo religioso resultará em uma mensagem do evangelho puro de Jesus Cristo.

Envolve uma minimização ou até remoção dos dogmas inseridos ao longo das décadas passadas. Existem dogmas doentios que sufocam a igreja. Outros que amarram a igreja. E ainda outros que ofuscam as doutrinas bíblicas. Se há o desejo de uma reforma na instituição eclesiástica, solucionar essa problemática seria um bom começo. Na hermenêutica bíblica, consta a seguinte regra: “Uma doutrina não pode ser considerada bíblica, a menos que resuma e inclua tudo o que as Escrituras dizem sobre ela”. (OLIVEIRA. P.151. 1989). Isto é, se a Bíblia não resume tudo sobre um determinado ensinamento de uma denominação, pode ter certeza, aqui se encontra um dogma. Ou no mínimo, uma linha teológica. Assim, porque a insistência, imposição e exposição de tal ensinamento no púlpito ou na mídia se não é uma doutrina bíblica? Talvez se diga: “é porque está implícito na Bíblia, mas é uma doutrina”. Entretanto, há outra regra da hermenêutica bíblica que diz: “Um ensinamento simplesmente implícito nas Escrituras pode ser considerado bíblico quando uma comparação de passagens correlatas o apóia”. (OLIVEIRA, P.158. 1989). É necessário que haja uma reflexão cuidadosa sobre alguns pontos: há uma comparação de passagens correlatas que apóie tal ensino? Isto é, há um paralelismo de versos bíblicos que dão respaldo a tal pensamento? Se a resposta for negativa, é um dogma da denominação. Onde deveria (se não descartado), pelo menos colocá-lo a margem da mensagem da instituição eclesiástica e foca-se mais no que é central e bíblico! Exemplo: o amor de Deus, o seu evangelho, a graça, a mensagem da cruz, etc.

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