sexta-feira, 15 de junho de 2012

RESPOSTA DE BLOGUEIRO AO DESAFIO DE SILAS MALAFAIA


Conforme prometi minha resposta na postagem aqui , venho topar ao desafio de Silas Malafaia, mesmo que a “distância”. Eu me disponho aqui a respondê-lo com toda a longanimidade e doutrina. A princípio, nunca vi isso, um pastor desafiar blogueiros em um programa de TV com uma mensagem já gravada, preparada em um culto onde os próprios membros são “usados” como “figurantes” (risos...). Bom, deixando de lado essa ação de diretor de cinema gospel. O pastor Silas Malafaia fez o desafio dizendo: “Diz aí se eu não estou pregando o que a Bíblia ensina... diz que eu interpretei errado!”. 

Portanto, sem mais delonga, vamos a Bíblia Sagrada. Começando pelo texto que ele citou em 2Coríntios 9.6: "E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará". 

CONTESTAÇÃO 1

Silas apenas aplicou o texto. Ele não fez a interpretação do texto. Uma das coisas que agente primeiro aprende na hermenêutica bíblica é que a Bíblia é interpretada pelo seu CONTEXTO. Na hermenêutica aprendemos: “As palavras do texto bíblico devem ser interpretadas em relação à sua sentença e ao seu contexto”. O que Silas fez no uso desse texto é aquilo que chamamos de APLICAÇÃO. Ele meramente aplicou o texto como oferta para Deus, obtendo com isso prosperidade financeira. Todavia, as aplicações pessoais não são determinantes na fiel interpretação do texto sagrado. Ora, Malafaia... aplicação pessoal da Bíblia, através da homilética, se tira aos milhares. Isso você sabe fazer muito bem! Mas, “interpretação” só tem uma só. Na hermenêutica aprendemos: “A Escritura tem somente um sentido, e deve ser tomada literalmente”. Silas fica dizendo na mensagem: “Eu estou mostrando na Bíblia”. Ora, mostrar algo na Bíblia com teor aplicativo e não interpretativo não quer dizer nada biblicamente. Citar um texto na Bíblia só é bíblico quando se foca no que o autor queria dizer. É isso que aprendemos na hermenêutica bíblica: “Uma palavra nunca é compreendida completamente até que se possa entendê-la como palavra viva, isto é, originada na alma do autor”

Assim, o referido texto citado por Silas Malafaia em sua pregação é uma coleta que o apóstolo Paulo fez para ajudar aos pobres. Vejamos o contexto: 

“Ora, quanto à assistência a favor dos santos, é desnecessário escrever-vos”. (idem v.1). 

“Contudo, enviei os irmãos, para que o nosso louvor a vosso respeito, neste particular, não se desminta, a fim de que, como venho dizendo, estivésseis preparados”. (idem v.3) 

“Portanto, julguei conveniente recomendar aos irmãos que me precedessem entre vós e preparassem de antemão a vossa dádiva já anunciada, para que esteja pronta como expressão de generosidade e não de avareza”. (idem v.5). Veja esse mesmo verso na versão NTLH: “Por isso achei que era preciso pedir aos irmãos que fossem antes de mim para preparar a oferta que vocês prometeram. E assim, quando eu chegar aí, ela já estará pronta, e todos ficarão sabendo que vocês deram ofertas porque quiseram e não porque foram obrigados”. 

“Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus”. (idem v.12). 

Em fim, 2Coríntios 9.6 se refere a ajuda ao nosso próximo, ao nosso semelhante. A harmonia bíblica é bem evidente com passagens semelhantes, tipo: 

“Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso?”. (Tg.2.15,16). 

“Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”. (At.2.45). 

“Pois nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade”. (At.4.34,35).

Essas passagens são correlatas, e reiteram a interpretação de ajuda ao próximo. E não de donativos para programa de TV, denominação religiosa ou coisa parecida para que se tenha uma vida de prosperidade. Reafirmando o que se diz na hermenêutica: “Um ensinamento simplesmente implícito nas Escrituras pode ser considerado bíblico quando uma comparação de passagens correlatas o apóia”. 

A INTERPRETAÇÃO E NÃO A APLICAÇÃO

O texto de 2Coríntios 9.6 é um pensamento que Paulo desenvolve de que quando ajudamos ao nosso próximo Deus está vendo, contemplando. E em sua justiça retribuirá de alguma maneira quem assim faz. Muito parecido com outros que encontramos nas Escrituras, tipo:

“Quem se compadece do pobre ao SENHOR empresta, e este lhe paga o seu benefício”. (Pv.19.17). 

“Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, desfaças as ataduras da servidão, deixes livres os oprimidos e despedaces todo jugo? Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda; então, clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso; se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia”. (Is.58.6-10). 

Diante desse contexto esmagador das Escrituras, tenho algumas reflexões a serem feitas: 

Se Silas Malafaia quer ajudar aos pobres, porque ele não acaba com esse besteirol de programa de TV e passa a se focar em serviço social? Por que ele tem que fazer a “obra de Deus”?! Que obra?! A igreja de Jesus já não faz a obra com os pés e a boca?! Precisa de um programa de TV para se fazer a obra de Deus? Essas mais de 200 nações que ele transmite seu programa de TV são nações de povos não evangelizados no mundo? Na Janela 10/40 vive o maior número de povos não-evangelizados da terra, cerca de 3,2 bilhões de pessoas em 62 países. Existe transmissão para algum desses países? Existe algum missionário do programa VITÓRIA EM CRISTO sendo mantido em alguns desses países? Por mais que alguém queira achar refutações e réplicas para essas reflexões, tal colocação de 2Coríntios 9.6 para donativos ao programa VITÓRIA EM CRISTO ou qualquer outro tipo de donativo para denominação evangélica para que se tenha uma vida de prosperidade desafia a inteligência dos estudantes da Bíblia. 

CONTESTAÇÃO 2

Que Deus nós estamos servindo? 

O Deus verdadeiro trabalha com a lei da recompensa? Silas Malafaia afirmou isso em sua mensagem: “Deus trabalha com a lei da recompensa”. Eu pergunto: Que Deus? Se for o falso deus Mamom, eu responderia que sim. Mas, o Deus verdadeiro, o criador de todas as coisas, soberano e eterno? Ele faz o que lhe apraz! Ele não está preso a lei nenhuma! Com Deus não se faz barganha! 

Silas Malafaia se baseia no mesmo texto que começou sua mensagem: UMA VIDA DE PROSPERIDADE. Que foi 2Coríntios 9.6. Onde já mostrei que tal verso associa-se ao nosso semelhante, ao próximo, e não a Deus. Façamos o seguinte, vamos comparar os textos bíblicos. Pegue esse texto de 2Coríntios 9.6 e compare com Romanos 11.35. A correta interpretação bíblica se faz comparando texto com texto. A Bíblia é auto-interpretativa. Veja o texto de Romanos: 

"... quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?" (Rm.11.35). Veja na versão Linguagem de Hoje: "Quem já deu alguma coisa a Deus para receber dele algum pagamento?". Que tal na versão Almeida XXI: "Quem primeiro lhe deu alguma coisa, para lhe seja recompensado?". Ou que tal na Nova Versão Internacional: "Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense?" 

Essa passagem citada pelo apóstolo Paulo é uma retórica que Deus fez a Jó (Jó.40.6) quando ele achava que por ter sido uma pessoa íntegra e reta diante de Deus esperava alguma recompensa por isso, que não merecia o que estava passando. Como se Deus fosse preso a alguma lei. Então Deus lhe fez respondeu: “Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe? Pois o que está debaixo de todos os céus é meu”. (Jó 41.10). 

Acaso Silas Malafaia nunca leu isso? Nunca leu: “... Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão”. (Rm.9.5).

Quando fazemos a comparação de 2Coríntios 9.6 e Romanos 11.35 chegamos a duas conclusões aqui: ou há uma contradição, uma desarmonia entre os textos; ou Silas interpretou errado a Bíblia. Diante das evidências aqui eu fico com a última conclusão! 

CONTESTAÇÃO 3

Como devemos ofertar à Deus? Deixando de lado o equívoco de 2Coríntios 9.6 e falando realmente de oferta para Deus. Sinceramente, se ofertamos valores financeiros em nossas igrejas com o intuito no coração que Deus vai nos dar em dobro, isso é típico daqueles que visam a si mesmos. Será que Abel tinha esse sentimento no coração quando ofertou a Deus? Será que a oferta da viúva pobre que Jesus elogiou estava suja de egoísmo? Jesus alimenta o egoísmo das pessoas? Não foi ele quem nos disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”. (Mt.16.24)? 

A palavra “oferta” ocorre no Novo Testamento umas 15 vezes. Quando ela se trata de finanças oferecidas a Deus, ocorrem dez (10) vezes; vem do original grego “doron”, que quer dizer “dom, presente” (exemplo: Mt.5.23). As outras cinco (05) vem do original grego “prosphora” que quer dizer “ato de ofertar” usada para se referir a remissão dos pecados (ex.: At.21.6). No Antigo Testamento ocorre 386 vezes. Em suas variações das palavras hebraicas: minchah (presente, tributo), teruwmah (contribuição), qorban (oblação), em algumas ocorrências como “sacrifício” tratando de redenção e em outras como: presente, oblação, louvor. 

Arrazoemos, se eu dou uma oferta para Deus, do grego “doron” (dom, presente); e faço isso com o intuito de receber alguma coisa em troca, é bíblico? E se eu der muito ele vai me recompensar muito e pouco vai me recompensar pouco? Mas, não é um presente? Quer dizer que o nosso Deus se rende aos presentes? Ele é semelhante aos deuses pagãos onde se traziam oferendas para que estes atendessem aos pedidos dos fiéis? Em fim, o que Silas Malafaia discorre em sua pregação foge ao contexto de GRAÇA DIVINA e entra no obscurantismo medieval de méritos humanos.

Lamento dizer isso, mas a conclusão que chego aqui é que Silas Malafaia abraçou sim a TEOLOGIA DA PROSPERIDADE. E a prova está aqui no seu argumento. É o mesmo usado pelos falsos mestres dessa teologia. Cujo Deus é Mamom. 

A verdadeira oferta e o verdadeiro Deus 

A verdadeira oferta é aquela que e dada a Deus por gratidão. Em louvor a tudo que temos e somos. E o verdadeiro Deus recebe essa oferta com alegria por ver sua criatura lhe reconhecer como Deus e Senhor de Tudo. E isso é uma questão de gratidão e não de lei de recompensa ou barganha. Meio de arrecadação financeira dos falsos mestres da teologia da prosperidade.

Segue abaixo a dita pregação que foi orquestrada para o "desafio":




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